Disrupção significa a interrupção de um modelo de negócio sólido e estável e o surgimento repentino de novo modelo, mais eficiente e escalável que pulveriza o modelo anterior. A pergunta que muitos me fazem é: Vai chegar no meu negócio? a resposta geralmente é: Já chegou e você ainda não sabe!
As diversas #startups e empresas globais tais como Tesla, Starlink, Airbnb, Uber e WhatsApp surgiram inesperadamente e rapidamente destruíram grande parte do valor das empresas existentes similares, estabeleceram um novo padrão para consumidores que imediatamente adotaram.
A #pandemia acelerou em muito o processo de transformação e aumentou o nível de angústia dos #médicos e #executivos do #mercado de Reprodução Humana. Como forma de melhor refletir, compartilho aqui algumas ideias.
Quando começo a estudar o assunto e fazer as reflexões necessárias à formação do pensamento, eu tenho mais dúvidas do que certezas. Mas vejo que ao fazer o exercício, consigo antecipar #cenários que o pensamento linear do médico e gestor é limitado para alcançar e visualizar essas transformações.
Faço as reflexões com base nas minhas percepções e análises do passado recente do mercado de Reprodução Humana, mas não quero projetar o futuro como uma simples ampliação do que já conhecemos até aqui.

1 – Paciente 5.0
Os pacientes que antes escolhiam o médico pela indicação da avó, mãe, amigos agora recorrem aos indicadores digitais de NPS, recomendações, publicações de redes sociais e outros. Os Pacientes ganharam voz e o que é dito tem alcance. A pandemia fez com que os pacientes evoluíssem 3 anos em 3 meses no que diz respeito ao uso do digital.
Com a aprovação da Telemedicina abriu-se uma zona segura de relacionamento com estes pacientes. Hoje um paciente pode migrar do perfil do Instagram do médico para uma consulta médica em apenas 3 toques no celular. E depois da consulta este mesmo paciente pode fazer a avaliação do profissional e publicá-la imediatamente. É uma disrupção grande. Talvez impensável até janeiro de 2020, mas completamente normal alguns meses depois. Aconteceu de uma hora para outra? Não claro que não!
O processo de mudança do perfil dos pacientes é constante. A medicina 4.0 disponibilizou muitos recursos tecnológicos que se somaram àqueles já haviam sido incorporados no dia a dia dos pacientes.
O Paciente 5.0 é o consumidor dos serviços de saúde que demanda todos os recursos tecnológicos sem renunciar ao acolhimento e da humanização.
2 – Sharing Lab
O laboratório de embriologia tornou-se o centro de convergência de todo o negócio da reprodução humana. Quer seja para atendimento direto aos médicos sócio proprietários ou para os médicos parceiros-usuários da estrutura terceirizada ao crescente número de médicos especialistas em laboratório.
No passado recente um médico especialista em reprodução humana que não tinha o seu próprio laboratório era “percebido” pelos pacientes como “não especialista”. Hoje isso mudou completamente. Para o Paciente 5.0 não importa se o laboratório é proprio ou não. importa o nível de serviço, acolhimento e qualidade agregada do tratamento.
Agregar serviços ao laboratório de embriologia é fundamental e conectá-lo a outro laboratório de genética é condição única de sobrevivência. Ou o Sharing Lab tem um fornecedor qualificado de testes genéticos ou não conseguirá se manter conectado com o Paciente 5.0®.
3 – Investidores
Já estão presentes no mercado de Reprodução Humana diversos tipos de investidores. Os mais expressivos são Fresenius Helios proprietários das marcas Huntigton e Pró Criar e Solum VC atual controlador da Engravida. O Grupo Espanhol IVI opera uma clínica em Salvador. Outro Grupo que entrou recentemente no mercado é o Fleury que abriu este ano a primeira unidade/modelo da sua clínica laboratório em São Paulo a Fleury Reprodução Humana.
De alguma maneira todas as demais clínicas, cerca de 170, estariam abertas a investimentos e projetos de expansão. Uma das barreiras segundo analistas de investimentos é a baixa Governança Corporativa que é fruto de uma gestão ainda incipiente.
4 – Gestão 360
Esta é uma área que precisa evoluir bastante. Por uma razão simples. De maneira geral um bom médico não (necessariamente) faz um bom gestor e formar mão de obra qualificada para atuar neste mercado não tem sido uma tarefa fácil. Falta mão de obra executiva no mercado.
Em 2020 realizamos o Curso Gestor 360 voltado para formar os novos gestores para este mercado. Das 60 vagas, 50% foram ocupadas por médicos. Este ano acontecerá a segunda edição com programação ampliada para cobrir toda a jornada do paciente.
5 – Regionalização
Todos os mais importantes recursos tecnológicos e científicos disponíveis na Europa ou Estados Unidos, podem ser encontrados no Brasil e em qualquer Estado/Cidade que tenha uma clínica de Reprodução Humana.
Cerca de 60% das clínicas/laboratórios estão localizados em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Apenas 4 Estados ainda não possuem clínicas: Rondônia, Acre, Roraima, Amapá. Diversos outros Estados possuem pelo menos uma clínica.
Atualmente aumentou a demanda por estudos de mercado com objetivo de identificar regiões polos para abertura de clínicas. Por exemplo Petrolina em Pernambuco conhecida como a California sertaneja ou Capital do São Francisco que possuiu um polo populacional de cerca de 800.00 habitantes, recebeu este ano a primeira clínica. O mesmo aconteceu em João Pessoa e Campina Grande na Paraíba, Penápolis em São Paulo dentre outros.

Em resumo a disrupção é um processo que se consolida, porém já está em andamento é só uma questão de observação um pouco mais apurada e setorizada.


